terça-feira, 8 de março de 2011

Hoje.

Faz algum tempo que não sei o que é acordar tarde depois de uma daquelas farras boas onde reuni seus amigos e sai sem rumo. Eu pelo menos era assim há três anos. Agora ando tão caseiro que me tenho alto-irritado. Não é algo muito bom, mas é a realidade.
                Desde que sai do Rio e vim morar nessa pequena cidade só tenho feito duas coisas: trabalhar e trabalhar. E pra falar a verdade, esse é o único passatempo por aqui, as pessoas não têm tempo pra muita coisa – a não ser transar todas as quartas, um esporte mais que nacional por aqui. Em outros lugares – por exemplo o Rio de Janeiro – as pessoas transam quando tem vontade e quando encontram alguém pra se aliviar, mas por aqui não, o sexo aqui é quase um culto a Afrodite.
                As mulheres deste lugar são altamente dadas aos maridos e vizinhos – se possível. Claro que não são todas. A maior parte delas casa-se novas e se detém a vida de casado. Muitas delas fazem isso para fugir da família, ou porque se apaixonam pelo rapaz que conheceu a menos de duas semanas. Cheguei a ouvir casos de mulheres que largaram tudo, fugiram com o namorado e viveram numa casinha velha – no meio do nada – para não perder o amado. Depois de alguns anos ela acaba vendo que não era bem aquilo que pensava que fosse, mas a essa altura já é tarde pra tentar refazer tudo, algumas já tiveram filhos e construíram uma vida ao redor do sonho que pensou ser real. Algumas delas chegam a trair o seu marido – caso quase que freqüente por aqui.

                Agora imagine eu convivendo com isso todos os dias. Sabendo que todos se conhecem e que o mais próximo de um relacionamento vitalício que eu possa arranjar é com um cara que não curta só a mesmice do casamento que goste de experimentar novas possibilidades e desvendar o que lhe incomoda. Não é fácil.
                Determinei uma coisa em minha vida 2011: todo e qualquer relação que eu tiver por aqui será restritamente omitido e, se possível, inconstante.
                Estou preparado para me entregar em um romance e não ser coadjuvante dele.

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